quinta-feira, 30 de julho de 2015


Vivo consumida por questões irretorquíveis.
Inspiro dúvida, expiro incerteza. Assim prolongo este ciclo vicioso que me vai corroendo a mente a pouco e pouco.
Cada segundo que passa parece dar azo a novas e mais ambiciosas questões.
Questiono o porquê de ser assim, pergunto-me se a cada um de nós corresponde uma batalha interior similar à minha, ou se todos se deixam de questionar séria e profundamente sobre a vida após a infância. Será toda esta angústia ainda reflexo de uma meninice inacabada? Serei ainda um pirralho na idade dos porquês?
Não encontro respostas e pergunto-me se algum dia virei a ter qualquer tipo de garantia na vida. Pergunto-me se será justo viver nesta ânsia insaciável de saber, acompanhada por esta carência intolerável de explicações.
Se não me podem dar o poder da certeza que ao menos me munam com a bênção da ignorância.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Acabou.

Acabou.
Soube-o hoje quando vos vi passar e a mão dele ia entrelaçada à tua em vez da minha.
Caiu-me tudo, não conseguia acreditar no que via.
O meu coração parou durante segundos e eu fique ali, como que congelada no meio da rua.
Não sabia como haveria de agir, não sabia como reagiria ao ver-me...
Pensei em esconder-me, mas convenci-me que era demasiado matura para tal. Então, decidi passar por vocês com a maior casualidade possível, mostrar-te que segui em frente, que ele me é indiferente.
Senti o meu coração a acelerar, e cada vez mais. Nunca me tinha sentido tão nervosa. Senti um nó no estômago do tamanho do mundo, mas dei o meu melhor para não deixar transparecer qualquer tipo de perturbação.
Se fui bem sucedida ou não, não sei. Só tu conheces a tua perspetiva do acontecido.

Porém uma questão tornou-se incontestável, nem que apenas nos meus pensamentos mais íntimos. Ele nunca se sentirá completo do teu lado, como um dia se sentiu do meu.
Por muito que quisesses, como poderias fazer dele um ser realizado sem teres visto aquilo que eu vi?
Encontrei qualidades nele que tu nunca verás, pequenas coisas que nem ele imagina... E quando finalmente parei de admirar cada uma delas, ocupei-me em apaixonar-me por cada uma das suas fraquezas.
Posso não ter sido o melhor, mas fui e serei sempre a única a conseguir amar cada parte do seu ser.
Por um lado lamento. Lamento que ele nunca volte a causar o mesmo encanto noutro ser, que nunca haverá outro alguém a sentir o mesmo arrebatamento de paixão cada vez que o vê, que lhe toca, que o sente...
Ainda assim, o meu egoísmo fala mais alto e acabo por agradecer o mesmo facto que lamento. Sei que assim serei sempre aquela que o fez sentir mais amado e que nenhuma outra se poderá equiparar a mim e assemelhar qualquer tipo de ligação àquela que eu e ele ainda hoje estimamos.
Ele foi tudo. Ele é tudo... Tirou-me o chão e levou-me às nuvens. Deu-me o melhor e o pior.
Senti borboletas, senti traças, senti tudo. Tudo aquilo que sei que não sentirei outra vez.
Acabou. Aquilo que outrora parecera inquebrável está hoje feito em estilhaços.
Mas é assim a paixão, ou o amor, ou lá o que isto foi... É uma crença iludida, a segurança incerta, é o voar com os pés assentes na terra.
Sem dúvida o cúmulo dos paradoxos, é um infinito que acaba com o qual nos é impossível e simultaneamente imprescindível conformar.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Devaneios Noturnos

São 3 da manhã e tu não me sais da cabeça.
Tudo o que eu queria neste momento era conseguir dormir, mas como poderia eu fazê-lo enquanto estás tão longe mas eu te sinto tão perto?
Desististe de mim, desistimos de nós.
Fizemos a nossa escolha e agora só nos resta lidar com as consequências. Juntar os bocados que sobraram de cada um de nós e reaprender a ser.
Como voltar a existir e a sentirmos-nos inteiros sabendo que uma parte de nós nunca voltará?
Estamos condenados a ser resignadamente incompletos.
Há pessoas que precisam de tanto da vida e que por mais que a vida lhes proporcione nunca conseguem sentir-se saciadas. Já eu, faço um simples pedido à vida, enquanto ela está demasiado ocupada a atender ingratos para me puder escutar devidamente.
Eu só preciso de ti, agora, ao pé de mim....
Queria poder resmungar mais uma vez contigo pelas cócegas ou pelos mini ataques cardíacos que me fazias ter quando me pegavas ao colo e logo de seguida fingias deixar cair. E adorava ouvir-te chamar-me, uma vez mais, chata e resmungona. Ver-te a reclamar por tudo e por nada na esperança de que eu ficasse chateada o suficiente para implicar contigo, só porque sempre me achaste bonita de cara séria.
Anseio por um último sussurro no ouvido em que pronuncies aquelas palavras que ambos sabemos que não poderias pronunciar alto demais e quero sentir os nossos corpos entrelaçados, os teus lábios nos meus, a nossa respiração ofegante, como que sincronizada numa harmonia quase tão perfeita como nós.
Quero ter a oportunidade de te mostrar que posso ser melhor, que vale a pena tentar mais uma vez, pois não existe agonia maior do que não te ter aqui, agora, ao pé de mim...