
Acabou.
Soube-o hoje quando vos vi passar e a mão dele ia entrelaçada à tua em vez da minha.
Caiu-me tudo, não conseguia acreditar no que via.
O meu coração parou durante segundos e eu fique ali, como que congelada no meio da rua.
Não sabia como haveria de agir, não sabia como reagiria ao ver-me...
Pensei em esconder-me, mas convenci-me que era demasiado matura para tal. Então, decidi passar por vocês com a maior casualidade possível, mostrar-te que segui em frente, que ele me é indiferente.
Senti o meu coração a acelerar, e cada vez mais. Nunca me tinha sentido tão nervosa. Senti um nó no estômago do tamanho do mundo, mas dei o meu melhor para não deixar transparecer qualquer tipo de perturbação.
Se fui bem sucedida ou não, não sei. Só tu conheces a tua perspetiva do acontecido.
Porém uma questão tornou-se incontestável, nem que apenas nos meus pensamentos mais íntimos. Ele nunca se sentirá completo do teu lado, como um dia se sentiu do meu.
Por muito que quisesses, como poderias fazer dele um ser realizado sem teres visto aquilo que eu vi?
Encontrei qualidades nele que tu nunca verás, pequenas coisas que nem ele imagina... E quando finalmente parei de admirar cada uma delas, ocupei-me em apaixonar-me por cada uma das suas fraquezas.
Posso não ter sido o melhor, mas fui e serei sempre a única a conseguir amar cada parte do seu ser.
Por um lado lamento. Lamento que ele nunca volte a causar o mesmo encanto noutro ser, que nunca haverá outro alguém a sentir o mesmo arrebatamento de paixão cada vez que o vê, que lhe toca, que o sente...
Ainda assim, o meu egoísmo fala mais alto e acabo por agradecer o mesmo facto que lamento. Sei que assim serei sempre aquela que o fez sentir mais amado e que nenhuma outra se poderá equiparar a mim e assemelhar qualquer tipo de ligação àquela que eu e ele ainda hoje estimamos.
Ele foi tudo. Ele é tudo... Tirou-me o chão e levou-me às nuvens. Deu-me o melhor e o pior.
Senti borboletas, senti traças, senti tudo. Tudo aquilo que sei que não sentirei outra vez.
Acabou. Aquilo que outrora parecera inquebrável está hoje feito em estilhaços.
Mas é assim a paixão, ou o amor, ou lá o que isto foi... É uma crença iludida, a segurança incerta, é o voar com os pés assentes na terra.
Sem dúvida o cúmulo dos paradoxos, é um infinito que acaba com o qual nos é impossível e simultaneamente imprescindível conformar.